imperfeito

sábado, setembro 20, 2008

FLAP 2008 (um sábado e tanto no Rio)

Sou filho da Puc. Lá, fiz o doutorado. Mantenho vínculos fortes com o seu Depto de Artes & Design. Tenho projetos em andamento com algumas de suas outras áreas, como Engenharia de Software. Sou mesmo filho da Puc e um amante inveterado, viciado, daquele manancial de geração de conhecimento.

Assim, foi com uma felicidade de garoto que fui hoje ao campus. Aquele campus que parece um jardim botânico. Suas árvores, em sua maioria, são catalogadas. Campus que recebe tours de visitantes que lá vão exclusivamente para conhecer suas árvores. Eis a foto da entrada:

Neste final de semana acontece a FLAP no campus da Puc-Rio.
Que tarde-noite maravilhosa !!! Uhuuuuu !!! Na abertura Viviane Mosé. Sabem quem é ? Psicoterapeuta, filósofa, com doutorado, fazendo pós-doc em breve, tudo isto numa mulher linda e poeta ! Viviane declamou 5 ou 6 poemas lindos. Poemas que tinham por temática a palavra.

Após declamá-los, Viviane foi compor uma mesa com Heloisa Buarque de Holanda (vou falar sobre ela à parte), Miguel Conde (jornalista de literatura de O Globo) e o jovem escritor Flávio Izhaki (autor do romance De Cabeça Baixa).

Viviane. Incrivel, como esta mulher com tantos talentos, tem a humildade de dizer que seus poemas - lindos - são apenas brincadeiras, que ela ainda está aprendendo a escrever poesia. "As pessoas andam escrevendo poesias sobre seus afetos e sentimentos, afastando-se da parte formal, das estruturas formais da poesia, da riqueza e dos rigores da linguagem", diz ela. E continua: "escrever apenas sobre afetos e sentimentos é fazer psicanálise, não é escrever poesias, porque poesias necessitam seguir estruturas formais e utilizar as riquezas da linguagem."

Puxa, quantas vezes vejo pessoas que podem ter talento se perderem por não entenderem que poesia não é derramar afeto e sentimento, poesia é muito mais. Derramar afeto e sentimento pode-se fazer em sessões de psicanálise, em conversas de botequim, em encontros e festas entre amigos. Poesia é muito mais do que isto. É saber trabalhar com a linguagem, empregá-la corretamente, conhecer os significados das palavras, conhecer as estruturas formais que diferem um soneto de uma poesia de versos livres. Conhecer os diversos formatos destas poesias, as suas diversas estruturas sonoras, gráficas, literárias, imagéticas, etc.

Viviane sempre que pode faz oficinas de poesia. A última aconteceu com o Carpinejar. Nesta, foi perguntado aos participantes que livros de poesia eles haviam lido. A maioria não havia lido livro algum. Poucos leram 1 livro e raríssimos 2 ou mais. Ou seja, tem gente se inscrevendo para fazer oficina de poesia sem ter lido livros de poesia, principalmente, lido Clarisse, Pessoa, Vinicius, Drummond, Bilac, Camões, etc. Pode ? Pode, é o efeito internet. Muita gente escrevendo sem se preocupar em ler, conhecer, pesquisar, entender...


Heloisa tem 70 anos, ou quase. É Professora Titular de Teoria Crítica da Cultura da Escola de Comunicação da Universidade Federal do Rio de Janeiro, coordenadora do Programa Avançado de Cultura Contemporânea (PACC/UFRJ) e da Biblioteca Virtual de Estudos Culturais (Prossiga/CNPq). Mas parece um garotinha com muito, muito conhecimento. Ouví-la é uma benção ! Todo este saber é falado como se numa conversa de mesa de cozinha. Conversado de forma despojada, deliciosa, suave. Por umas 4 vezes ela falou em "preciso pesquisar isso". Deus, voces entendem o que é essa pessoa de tanto, tanto conhecimento, dizer eu preciso pesquisar isso ? Significa humildade, vida, talento, e uma enorme vontade de mais conhecimento. Sou fã de carteirinha dela. Luiz Peazê sintetiza o que penso dela:
"Se você não conhece Heloisa Buarque de Hollanda, entrevistá-la é como viajar num supersônico em pleno espaço aéreo onde navegam aeroplanos, tapetes voadores e máquinas do tempo. Se você a conhece, é como fazer piruetas num aeroplano de brinquedo tendo como pano de fundo um céu azul congestionado por vôos comerciais em pleno século XXI, bem atual."

Pois bem, Heloisa falou muito da literatura feita nas periferias, principalmente das grandes cidades, essa literatura feita a partir do RAP (Ritmo e Poesia). Esta literatura engajada dos tempos de hoje. Falou sobre os blogs também e deixou no ar tantas interrogações. Existe literatura e, principalmente, poesia nos blogs ? Pode-se chamar de literatura e poesia o que se está produzindo nos blogs ? Tanta gente escrevendo ! Qual será o futuro da literatura e da poesia dessa geração internet ? Muitas interrogações !

Flávio Izhaki trabalhou 2 anos na editora Record. Contou que pessoas procuravam a editora para publicar seus livros de poesia e quando, na entrevista costumeira, perguntados por quem os havia influenciado, a maioria não sabia responder. Pode ? Pode, a mesma história contada pela Viviane...
Depois teve uma mesa com o Claufe Rodrigues, o Eucanãa Ferraz (poeta e professor de Literatura da UFRJ - que papo !), Tanussi Cardoso e outros.

E para terminar, 6 hs após o início, um pequeno filme com Ferreira Gullar. Que sobremesa, com vinho do Porto e tudo !!!!

Conheçam Heloisa, Viviane, Eucanãa... http://flaprj.wordpress.com/participantes-2008/

7 Comments:

  • Linda tua PUC!
    Eu faço pós graduação na PUC de BH, ainda não conheço pq tou cá nas "Zoropa", mas ano que vem se Deus quiser vou ver se é tão linda qto a tua.
    Meu email é: loraribeiro@gmail.com

    Bjm

    By Blogger Aline, at 6:38 PM  

  • adoro esse tipo de programa. adoro mesmo. atualmente tenho me dedicado à música mais que a literatura e outros afins... mas são horas precisosas que passamos.
    beijocassssssssss querido e não suma de vista, ok?

    By Blogger perdidinha..., at 7:38 PM  

  • gente
    e tem coisa melhor que voltar as origens com sobremesa e vinho?
    hehe
    ;**

    By Blogger (marta entre parênteses), at 4:14 PM  

  • Adorei...ouvir voce comentar da Flap comigo....

    Muito mesmo!

    By Blogger Tâmara, at 6:17 PM  

  • uma tarde deliciosa

    beijo

    By Blogger Jana, at 4:24 PM  

  • Adorei!

    Um grande abraço.

    Eliana

    By Blogger Espaço Mensaleiro, at 7:39 AM  

  • acabei de voltar de uma prova q apliquei pros meus alunos de 5 e 6o semestre.
    prova dissertativa com APENAS 5 questões.
    a maioria DETESTOU, achou q estava muito difícil...
    ô, luiz, esse povo não quer e muito menos SABE ESCREVER, o q dirá ler...
    é difícil, viu?...

    By Blogger ana b., at 10:22 PM  

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