imperfeito

terça-feira, junho 10, 2008

PALAVRAS...AMOR

O post de hoje foge totalmente à finalidade do Imperfeito. E, por isso, está sendo escrito com mais esmero, em um tipo de letra pouco usual, quase caligráfico.

O post de hoje é sobre o AMOR.

Recentemente assisti a 2 filmes que tinham como tema central o amor. Filmes bastante diferentes entre si.

Quand j´etais chanteur (cujo título em português é Quando estou amando) narra o encontro do personagem Alain Moreau - um cantor de bailes, típico chansonnier francês, vivido por Gérard Depardieu - com Marion, personagem de Cécile De France. Ele, aos 50, ela, une jeune femme.

Para alguns, o filme é extremamente “mala”. Para outros, inclusive para o bonequinho crítico de O Globo, o filme merece ser aplaudido. Não vou entrar nesse mérito.

O que me traz aqui é uma situação muito específica, que o filme trata com habilidade e sutileza. O momento exato em que se produz o encontro, a declaração, a certeza do amor... e o momento exato em que, a partir daí, se produz a impossibilidade.

O clima é perfeito. Um salão de baile como um salão de baile deve ser. Tango... Marion e Alain bailam. Há um certo estilo naquele Alain acima do peso. Há uma aura de beleza em Marion. As tomadas de cena são preparadas para o close no rosto dela. Para o close no olhar mais expressivo do cinema francês atual. Com toda a força desse olhar, Marion se declara. Algo como: nunca tive um homem como você. Diz as palavras especiais, únicas, singulares que caracterizam o Amor. Diz as palavras que tornam o Amor transcendente e fazem com que Alain transcenda a todos os outros homens. Palavras especiais, únicas, singulares...

Instala-se a impossibilidade no olhar de Alain. Aquele homem que desejava e precisava mais do que tudo ouvir aquelas palavras, foge delas.

Marion se vai.

Não importa o resto do filme.

Sex and City. A série de enorme sucesso na TV chega ao cinema com o mesmo impacto. Nas análises sérias que se têm feito sobre o sucesso de Sex and City alguns pontos são consenso entre os analistas. A perfeita definição, composição e caracterização das personagens e a qualidade precisa dos diálogos. Sem dúvida é fácil identificar pelo comportamento, pelas frases, pelas roupas, pelos pensamentos Carrie, Samantha, Miranda, Charlotte, Mr. Big, and so...

O filme é sobre o amor, sobretudo sobre o amor.

E o pensamento de cada uma delas sobre o amor difere muito entre si.

Charlotte acredita no amor, acredita no casamento, defende-os, cria todos os climas possíveis para que eles se realizem, aconteçam.

Samantha, ao contrário, quer-se livre para o sexo. O amor deve acontecer inserido no sexo. Ela declara que não está atrelada a homens. Que eles são o seu objeto de desejo... Mas Samantha tenta. O filme mostra a seqüência de um relacionamento seu de 5 anos.


Miranda vive um eterno conflito entre o trabalho e sua vida pessoal. O amor fica em segundo plano, como o sexo.

Carrie, ah Carrie... vive um romance-elástico com Mr. Big há mais de 10 anos. Junta-separa, aproxima-afasta, possibilidades-impossibilidades. Mr. Big tem seu próprio mundo de negócios, seu próprio mundo particular de homem bem sucedido. Carrie ora está nele, ora não está. O que o filme traz de novo é que, finalmente, as impossibilidades parecem se esvaecer. Tudo caminha nesse sentido.

Mas...tudo pronto para o casamento, Mr. Big não consegue transpor o muro das impossibilidades. Duzentos convidados, tendo como cenário a The New York Public Library – a belíssima biblioteca de Manhattan, fico deslumbrado a cada vez que lá entro – e o noivo não aparece. Imaginem uma cena como esta !

Novamente o que me traz aqui não é propriamente essa cena do casamento não realizado. O que me traz aqui é uma cena posterior, no final do filme, quando Mr. Big e Carrie se encontram, por total acaso, no apartamento que ele havia comprado para os dois residirem após o casamento.

O que me traz aqui são as palavras de Mr. Big a Carrie nessa cena. Ele diz que eles estavam tratando o casamento como se fosse um negócio. Que era assim que ele estava sentindo. O casamento e o negócio estavam maiores do que eles, do que o amor deles. Mr. Big ajoelha-se e se declara. Pede Carrie em casamento, como os pedidos de casamento devem ser. Diz as palavras especiais, únicas, singulares que tornam o amor e os amantes transcendentes. E se casam na simplicidade de um cartório.

Essas cenas de Quand j´etais chanteur e de Sex and City são as cenas da importância das palavras no AMOR. A importância das palavras especiais, únicas, singulares que os amantes se dizem – ou deveriam se dizer – para tornar o AMOR transcendente. E isso se tem tornado cada vez menos comum. As pessoas estão dizendo para as outras, nos seus cotidianos, as mesmas palavras que dizem aos seus amantes e amores. As palavras de AMOR estão perdendo os seus significados especiais, únicos, singulares, que tornam o AMOR transcendente.


Um querido e muito próximo amigo me contou uma pequena estória. Ele pensava ter encontrado a mulher de sua vida, a mulher amada. Durante algum tempo trocaram olhares, palavras, toques, pensamentos. Dedicaram-se momentos de suas vidas. Ele tinha muito cuidado em falar de amor e falar amor. Ele lhe disse certa vez: tenho muito cuidado com essa palavra amor, mas sinto que estou amando você.

O acaso, sempre ele, fez esse meu amigo cruzar um caminho de palavras escritas. E lá, a sua mulher amada usava em seu cotidiano as mesmas palavras que ele pensava fossem só suas. As palavras que ele pensava serem especiais, únicas, singulares, eram escritas por ela para os seus amigos.

Um anel de ouro, com duas estrelas da cor do sol ladeando uma estrela da cor da lua, repousa dentro de uma gaveta. Esse anel seria dado por ele à sua mulher amada no dia dos namorados.

Meu amigo tem um problema que não posso ajudá-lo a resolver. Faz tempo isso, o anel repousa na gaveta porque ele não pode dá-lo a outra pessoa...ele não consegue dar a uma outra mulher, por mais amada que seja – e amor pressupõe confiança e compreensão – essa pequena jóia que para ela não foi comprada.

Palavras especiais, únicas, singulares tornam o AMOR e os amantes transcendentes. A autora de Sex and City e o roteirista de Quand j´etais chanteur pensam assim. Meu amigo e eu ainda acreditamos nisso...

Amanhã, no dia dos namorados, estarei viajando a trabalho. Um super feliz dia dos namorados para todos, e que palavras especiais, únicas, singulares sejam ditas.

8 Comments:

  • Eu acredito tb nesse amor que vc descreveu, um amor que não pode ser banalizado, nem tratado como algo comum, como comum é desejar "saúde" qdo algm espirra.
    Amor é benção, e benção que poucos sabem receber.

    Bjm

    P.s.: pq vc contou o final do filme? eu não assisti ainda! rs...

    By Blogger Aline, at 8:28 PM  

  • eu bem que tento não acreditar nesse amor descrito no post. e confesso que é uma batalha... não, uma guerra inteira perdida.rs... meu coração derrete por histórias assim, como as que vc contou. o primeiro filme, me recuso a ver. odeio a palavra impossibilidade com todas as minhas forças! o segundo seria meu programa de final de semana! realmente gostei de saber o final do filme. nos filmes e nos livros, os finais têm que ser sempre felizes. na vida a gente complica mais.rs...
    beijocasssssssssssssssssss!

    By Blogger perdidinha..., at 11:00 PM  

  • Olá!
    Bela postagem para esse dia, o dia "Dos Namorados!"
    O cinema e suas cenas carregadas de falas, efeitos, encontros e desencontros que nos levam a viajar junto com as cenas, não deixa de ser a vida através da tela...Bacana gostei!
    Acredito nesse amor, o que me torna um pouco "ultrapassada" e sonhadora aos olhos dos outros.
    Bem, tenho pra mim que: Mistura-se um poucos os sentimentos que confundidos pelo ser, tudo passa a ser amor.
    Afinal conhecer e sentir o que é amor, não o idealizado, mas o real, intenso e verdadeiro é desejo de muitos...
    Beijo!

    By Blogger Lu, at 9:58 AM  

  • Grande Luiz, que lindo tudo isso, a começar pela análise sentimental dos filmes. como eu moro no fim do mundo, provavalmente só "SEX..." chegue aqui e qdo eu locar [pq não vou a cinemas] eu vou lembrar de suas palavras. tb queria estar viajando no dia dos namorados, assim eu me esqueceria que não tenho um. hahahah e mais: o dia aqui tá chuvoso e eu super sensível já acho que é algo pessoal contra mim. querido, que todos os dias sejam dia dos namorados pra vc, pra mim, pra todos, parece que o amor ronda esse dia, e então que seja isso todo dia. fica bem!

    By Blogger Júnior Creed, at 10:06 AM  

  • Bom, como ja deve ter percebido eu sou meio desastrosa com as palavras. Porque penso, sinto e falo...mesmo que seja EU TE AMO...acredito que outros gestos possam realmente ter tido algum significado pro teu amigo, alem das palavras.

    Mas, como diz meu pai, sentir é uma questão de sensibilidade. E amar é uma questão de individualidade... cada um sente o amor e ama á sua maneira.

    Carioca, tenha um excelente dia cheio de muito amor...muitao ate derramar pelas beiradas, tranbordar pela boca, escorer pelos olhos e minar pelos poros....

    Um beijo na alma...

    By Blogger Tâmara, at 3:46 PM  

  • diria: sou um animal sentimental, me apego facilmente ao que desperta o meu desejo... {legiao urbana]...
    acredito em todas as formas de amor ou de amar. onde houver respeito existira o amor, seje ele, de amigos, companheiros (as) de qualquer 1
    bjss ótimo findis

    By Blogger Si, at 12:37 PM  

  • Oi Imperfeito!!

    Porque eu estaria triste com você?
    Tô não!
    Mas ó, você entendeu tudo errado...rs Eu tô muito feliz com minha pessoinha, aliás, ele me faz respirar...do contrário já teria explodido!!
    Meus problemas são grandes, mas são outros.....

    Beijos Querido amigo!!

    By Blogger Andreia, at 3:05 PM  

  • Luiz, parabéns!

    Lindo!

    Tenha um ótimo fim de semana.

    Eliana

    By Blogger Espaço Mensaleiro, at 7:09 PM  

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